Você já se perguntou o que significam termos como café gourmet, tipo 7, bebida dura ou 84 pontos? O mundo do café é riquíssimo em classificações — físicas, sensoriais, comerciais — e conhecer esses critérios ajuda você a escolher melhor na hora de comprar.

1. Classificações da ABIC
A ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café) criou um sistema de certificação com quatro categorias principais:
- Tradicional: Café comum, com presença de grãos defeituosos e sabor mais amargo.
- Extra Forte: Mesma base do tradicional, com torra ainda mais intensa e sabor muito amargo.
- Superior: Menor número de defeitos e bebida mais equilibrada do que o tradicional.
- Gourmet: Grãos selecionados, maior limpeza sensorial.
Importante: o selo da ABIC só é emitido após análise técnico-sensorial.
2. Classificação SCA: Café Especial
A Specialty Coffee Association (SCA) avalia o café com base em uma escala sensorial de 0 a 100 pontos, considerando atributos como:
- Aroma, sabor, acidez, corpo, doçura, uniformidade, balanço, finalização e ausência de defeitos.
Pontuação SCA:
- 90–100 pontos: Excepcional
- 85–89.99: Excelente
- 83–84.99: Muito bom
- 80–82.99: Bom
- Abaixo de 80: Não é considerado café especial
Café Gourmet é melhor que Café Especial?
Essa é uma dúvida muito comum — e a resposta pode surpreender: NÃO.
Na verdade, café especial e café gourmet fazem parte de sistemas de classificação diferentes, mas, na prática, o café especial é uma categoria superior ao gourmet.
Vamos explicar:
- Café Gourmet, segundo a classificação da ABIC, é um café de boa qualidade, com grãos selecionados e perfil sensorial limpo, mas ainda dentro de um sistema industrial de avaliação. Ele pode apresentar leve acidez, corpo agradável e sabor definido, porém com critérios menos rigorosos.
- Café Especial, por outro lado, segue padrões internacionais da SCA, com exigência mínima de 80 pontos em uma avaliação sensorial rigorosa. Além disso, é necessário que o café seja livre de defeitos físicos, cultivado com rastreabilidade, colhido com critério e processado com controle.
| Comparativo | Café Gourmet (ABIC) | Café Especial (SCA) |
|---|---|---|
| Tipo de avaliação | Nacional | Internacional |
| Defeitos permitidos | Alguns | Nenhum |
| Pontuação mínima | Não exigida | 80 pontos |
| Complexidade sensorial | Média | Alta |
Todo café especial é gourmet, mas nem todo gourmet é especial.
3. Classificação Física (Tipo 1 a Tipo 8)
Essa classificação é regulada pelo MAPA através da Instrução Normativa nº 8/2003, que define o Padrão Oficial de Classificação do Café. Ela considera a quantidade de defeitos físicos por amostra de 300g:
| Tipo | Defeitos permitidos |
|---|---|
| Tipo 1 | Até 4 |
| Tipo 2 | Até 8 |
| Tipo 3 | Até 12 |
| Tipo 4 | Até 26 |
| Tipo 5 | Até 46 |
| Tipo 6 | Até 86 |
| Tipo 7 | Até 160 |
| Tipo 8 | Mais de 360 |
Essa classificação é física e não mede o sabor do café.
4. Classificação Sensorial Tradicional Brasileira (Bebida)
Usada em cooperativas, leilões e exportações, essa classificação considera o perfil sensorial na xícara:
| Bebida | Descrição |
|---|---|
| Estritamente Mole | Doçura intensa, acidez brilhante, corpo suave. Alta qualidade. |
| Mole | Café ainda mais doce, limpo, com bom equilíbrio. |
| Apenas Mole | Café doce, limpo, porém com menor complexidade sensorial. |
| Duro | Presença de amargor, áspero, sem defeitos sensoriais graves. |
| Riado | Iodofórmio, couro, sabor desagradável. |
| Rio | Iodofórmio forte, bem desagradável ao paladar. |
| Rio-Zona | Altamente defeituoso, sabor muito desagradável ao paladar. |
Essas expressões são tradicionais no Brasil e ainda muito utilizadas na comercialização de cafés não especiais. Cafés classificados como “bebida mole” podem ser considerados especiais se atingirem os critérios da SCA. Normalmente cafés com “bebida dura” atingem pontuação inferior a 80 pontos.
Conclusão
Saber o que significam essas classificações é o primeiro passo para valorizar o trabalho de quem planta, torra e prepara com excelência. É também um convite para expandir seu paladar e escolher cafés que entregam muito mais do que cafeína — entregam história, terroir e personalidade.
Na Cereja Real, cada grão é selecionado para oferecer uma experiência limpa, doce, intensa e sensorialmente rica — da lavoura até a sua xícara.
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1 comentário
Excelente! Minuciosos na qualidade do produto e na entrega de informações ao consumidor. Tomar uma boa xícara de café e sabendo o que está sendo ingerido. Torna a experiência ainda melhor!